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02-09-2017 18:50

Seguir: assumir a dinâmica de Jesus

 
 
Nesse vigésimo segundo domingo do tempo comum, temos a oportunidade de ouvir, da boca de Jesus, aquilo que Jon Sobrino, teólogo espanhol, definia como “fórmula breve do cristianismo”: o seguimento ao Senhor. Ser cristão é, portanto, enveredar-se na estrada de Jesus, assumindo a dinâmica do seu viver.
Mas em que consiste esse dinamismo? O texto evangélico conduz-nos a perceber os rumos que são necessários tomar, para que nos encaminhemos nos passos do Senhor. O primeiro elemento a ter presente é que se faz necessário um empenho de transformação, de mudança de mentalidade. Seguir Jesus é assumir o seu modo de pensar, a sua concepção de vida. A figura de Pedro é, nesse sentido, o exemplo do que deve acontecer em nossa vida. Ele havia confessado Jesus como messias, mas não tinha ainda aderido ao modo de como Jesus entendia a sua missão messiânica. Pedro deverá entrar num processo de conversão.
A passagem que somos chamados a fazer consiste, sobretudo, na saída de nós mesmos, do próprio eu, para fazer-nos dom aos irmãos. Esta é, na verdade, a primeira exigência de Jesus: a renúncia de uma vida egoísta, incapaz de elevar os olhos e o coração aos irmãos, centrada nos próprios interesses e não inclinada a servir. Jesus convida-nos a entender o nosso viver como um viver PARA os outros.
O apóstolo Paulo, na carta aos romanos, faz-nos o convite a ser um “sacrifício vivo”, ou seja, a fazer dom a Deus, não de coisas, mas de nós mesmos. Isso é o que de mais sagrado podemos oferecer ao Senhor. Esse é o projeto que nos é apresentado por Jesus ao convidar-nos a tomar a sua cruz e segui-Lo. Tomar a cruz significa a assumir a dinâmica do dom de si aos irmãos, como o fez Jesus em toda a sua vida, mormente na cruz.
Jesus nos convida a levar a nossa vida como um dom preciso não apenas para nós mesmos. Ele nos apela a viver o “holocausto do eu” por meio do qual saímos de nós mesmos e nos colocamos a serviço dos irmãos. Essa é a atitude fundamental de quem quer trilhar a estrada de Jesus e, assim, encontrar o que conduz à felicidade e salvação.
Isso é o essencial do viver cristão. Aqui reside o significado da santidade. Fala-se que na vida de Dom Luciano Mendes de Almeida, grande bispo brasileiro, que morreu com fama de santidade, umas das suas preguntas frequentes, ao encontrar as pessoas era: “em que posso ajudar”. Um detalhe especial que é presente na vida dos santos: não miram a quem auxiliar, simplesmente fazem oferta de si.
Que o Senhor nos conceda a graça da conversão e ajude-nos a enveredar-nos pela estrada de quem “perde” a sua vida amando, pois na verdade só ganha, visto que definitivamente é isso que realmente conta para Deus. Não nos perdamos no desamor, no egoísmo, ou até no ódio, mas nos “perdamos” naquilo que nos fará encontrar-nos como autenticamente humanos e nos levará ao reino divino.
 
Pe. Pedro Moraes Brito Júnior