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09-09-2017 22:09

O irmão: caminho obrigatório do amor.

 
 
O texto do vigésimo terceiro domingo do tempo comum coloca-nos diante do outro. Faz-nos ver a dimensão da alteridade no amor cristão. Este não aliena o irmão, mas pelo contrário, torna-o via obrigatória, sem a qual não podemos dizer que amamos a Deus. O amor a Deus encontra, no irmão, o seu teste verificador.
O outro, que a fé cristã nos faz chamar de irmão, não é um apêndice, mas parte essencial do mandamento maior. Jesus inter-relacionou o mandamento do amor a Deus e do amor ao próximo.
Papa Bento XVI, ao final da primeira parte da encíclica Deus caritas est, oferece-nos uma rica e profunda reflexão sobre isto. O Papa Emérito, destacando a indivisível unidade entre os dois mandamentos, afirma: “Se na minha vida falta, totalmente, o contato com Deus, posso ver no outro, sempre e apenas, o outro e não consigo reconhecer nele a imagem divina. Mas, se na minha vida negligencio completamente a atenção ao outro, importando-me apenas com ser ‘piedoso’ e cumpridor dos meus ‘deveres religiosos’, então definha também a relação com Deus. Nesse caso, trata-se de uma relação ‘correta’, mas sem amor”.
Uma das expressões concretas de manifestação de amor ao irmão é saber que somos responsáveis por ele. Não podemos viver apesar do irmão. Nesse sentido, é preciso lutar contra um grande mal que se alastra na sociedade: a indiferença. O caminho indicado por Cristo conduz-nos a um viver corresponsável e compassivo.
Não podemos ser inertes deixando que o outro não trilhe um caminho que o conduza a uma verdadeira humanização e realização. O Evangelho indica-nos assim o caminho concreto da correção fraterna, por meio do qual ajudamos o outro a se libertar daquilo que não é digno dele e crescer verdadeiramente como pessoa. Quem ama cuida e corrige.
A correção, também, deve seguir a dinâmica do amor. Este só visa o bem. É preciso dizer o que o outro precisa ouvir com carinho e verdade, ajudando-o a perceber que, por vezes, ele pode trilhar um caminho que não é bom para sua vida.
Contudo, além de não tentar ferir, evitando toda crítica ácida, é preciso fazer com que o outro seja o protagonista da sua transformação. Ele precisa estar convencido do caminho que deve abandonar e da estrada que deve seguir.
Precisamos viver como sentinelas, atentos, não para ter a última informação sobre o outro, mas para ajudá-lo a crescer no caminho do bem, da verdade e do amor. A dívida do amor ao irmão, como nos afirma São Paulo, nunca é paga, por isso, não podemos viver apesar dele, mas sobretudo PARA ele, pois assim viveu Jesus e esta é a estrada que Ele nos propõe.
 
Pe. Pedro Moraes Brito Júnior