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04-11-2017 21:30

Na academia dos Santos

 

Neste domingo, a Igreja celebra a solenidade de Todos os Santos e, nesta ocasião, escutamos o início do Sermão da Montanha com o texto das bem-aventuranças. Este evangelho foi escolhido porque traduz o significado da santidade: busca de reproduzir, na própria vida, a imagem de Cristo.
As bem-aventuranças, como afirma São João Paulo II, na Carta Encíclica o Esplendor da verdade, são um “autorretrato de Cristo e, precisamente por isso, constituem convites ao seu seguimento e à comunhão de vida com ele”.
A santidade é obra, sobretudo, do Espírito Santo que age em nós e vai nos configurando, tornando-nos à medida de Cristo. Ela deve ser o princípio de beleza da vida cristã. Tornamo-nos a Igreja sem ruga e sem mancha, como afirma Paulo, quando nos deixamos ser conformados com a imagem de Deus que foi manifestada em Cristo Jesus.
Os Santos representam uma multidão de homens e mulheres que fazem parte da “academia” do seguimento de Jesus. Buscam viver como discípulos e discípulas, procurando, na força da graça, atingir a “performance” que nos é proposta nas bem-aventuranças. Seguem, guiados pelo Espírito, a seguinte “série”:
Pobreza de espírito. Não são cheios de si, autossuficientes. Pelo contrário, esvaziam-se de si mesmos. São desapegados e colocam a sua esperança total em Deus. Movidos pelo Espírito, são capazes de fazer dom de si e do que têm, vivendo uma troca de dons pelo amor.
Mansidão. Não porque sejam passivos e resignados, mas porque não reagem com agressividade, não dão na mesma medida, não pagam o mal com o mal, mas respondem com amor. São firmes no empenho que se propuseram.
Aflição. Não são exaltadores do sofrimento. Não verdade, se afligem porque são inconformados. Buscam um mundo diferente e lutam por ele. Sonham por uma humanidade mais fraterna e unida. Deus os consolará fazendo nascer um mundo novo.
Fome e sede de justiça. São homens e mulheres, que como Jesus, têm um desejo intenso de realizar a justiça de Deus, que consiste primordialmente na salvação do homem, no fato de que ele viva intensamente e se realize plenamente.
Misericórdia. Vivem movidos pelo amor de Deus que é incondicional e fiel. Neles só prevalece a compaixão. São capazes de enxergar a necessidade do outro, colocam-se em seu lugar, vivendo a compaixão e, concretamente, fazem algo em seu favor.
Pureza de coração. Vivem de reta intenções. Seu coração é guiado pelo bem e, sobretudo pelo bem maior que é Deus. Têm somente o desejo de fazer a sua vontade. Não são ambíguos, divididos, mas servem somente a um Senhor ao qual se deram por inteiro.
Promoção da Paz. Buscam criar pontes ao invés de muros. Favorecem a unidade e destroem as divisões. Fazem com que a paz, que é fruto da justiça e do amor, seja uma meta que possa ser alcançada entre os homens. Promovem, desse modo, o bem integral da pessoa humana.
Perseguição por causa da justiça. Homens e mulheres grandiosos, que levantam a bandeira de nobres causas e são capazes de dar a vida por elas. Buscam fazer o que agrada a Deus e lutam para que os seus desígnios se realizem entre os homens.
Injúria e perseguição por causa de Cristo. Homens e mulheres que sabem em quem colocaram a sua esperança. Reconhecem em Cristo o tesouro maior e tudo deixaram por Ele. Sabem que tudo podem n’Ele que os fortalece. Encontram n’Ele a sua alegria, vivem por Ele e anseiam somente com Ele estar, gozando da eterna alegria.
 
Pe. Pedro Moraes Brito Júnior