Untitled Document


11-02-2018 00:10

Deus nos ama apesar do que somos e fazemos

 

 

Mais uma vez, nesse sexto Domingo do Tempo Comum, encontramos Jesus que tem diante de si um enfermo. Mais que isso, alguém que vivia marginalizado, porque considerado impuro, pecador, desprezado por Deus.
O agir de Jesus, seus gestos e palavras são muito significativos. Por meio deles, Ele quer, sobretudo, afirmar que o amor de Deus não é excludente. Ninguém permanece fora do alcance do seu amor. Na verdade, Jesus salienta que o amor de Deus é exclusivo, volta-se especialmente para aqueles que estão à margem do caminho. O leproso é expressão cabal dessa mentalidade nova que o Senhor busca impregnar as mentes das pessoas.
O episódio de hoje é um convite à superação de uma mentalidade outrora existente: os leprosos não podiam aproximar-se de Deus e este mantinha-se longe daqueles. Com a cura do leproso, Jesus, não somente o reintegra à sociedade, pois viviam afastados de tudo e de todos, mas afirma que ninguém permanece fora do amor do Pai.
Nesse sentido é muito significativo o gesto de Jesus que toca o leproso, contrariando a lei judaica que não permitia tal ação. O Senhor estende a sua mão e o toca, voltando-se, dessa forma, para leproso para libertá-lo e salvá-lo.
O leproso, na sua condição de pessoa marginalizada e separada, bem como desfigurada e repugnante, é símbolo de uma realidade espiritual que pode nos atingir: o pecado. Acometido pela lepra, aquele homem é imagem de todo homem que vive no pecado. Este, também, nos desfigura, ofuscando a nossa condição de filhos criados à imagem e semelhança de Deus, como também nos torna repugnantes, pois o amor e a bondade deixam de habitar em nosso coração.
Com o pecado, somos nós que nos afastamos de Deus, não é Ele que se separa de nós. Pelo contrário, continua olhando-nos com amor, desejoso de tocar-nos e salvar-nos. Importa que permitamos ao Senhor que estenda a sua mão sobre nós e nos toque. Necessário se faz que nos deixemos ser tocados, alcançados pela graça de Deus, que quer nos libertar.
O pecado nos torna feios, nos desfigura. Um viver longe de Deus, do bem e do amor é um viver desumanizante. É preciso que nos permitamos encontrar o Senhor, e deixemos que Ele nos torne belos, libertando o nosso coração do mal e do pecado.
Necessário se faz também que nos libertemos de mentalidades pequenas que ofuscam a grandeza do amor sem limites de Deus, que não exclui ninguém. O que pensamos nos configura. Jesus libertou a mente, o corpo e o coração daquele homem de uma mentalidade restritiva a respeito de Deus. Ele quis, sobretudo, dizer aquele homem que Deus não despreza ninguém, que continuamos a ser amados, mesmo quando praticamos o mal.
Jesus é o nosso pedagogo, o nosso mestre. Suas ações são emblemáticas para nós. Com o seu agir, Ele nos convida a ter uma atitude que não despreza ninguém. Pelo contrário, convida-nos a ir ao encontro dos desprezados deste mundo, a sujar as nossas mãos com os que estão emporcalhados, para fazê-los experimentar a alegria do Evangelho, do amor de Deus.
Trabalhar para a glória de Deus como nos convida o apóstolo, é, especialmente, fazer com que as pessoas experimentem primordial e fundamentalmente que Deus as ama.
Pe. Pedro Moraes Brito Júnior