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09-03-2018 17:56

A Cruz: manifestação suprema do amor e projeto de vida

 

No quarto Domingo da Quaresma, encontramos Jesus que dialoga com Nicodemos, que vai ao seu encontro, porque se sente interpelado pelos “sinais” realizados por Jesus. Como esse mestre fariseu, queremos, também, escutar o que o Senhor nos quer ensinar para bem conduzirmos a nossa caminhada.
No trecho de hoje, Jesus nos fala da necessidade de Ele ser levantado como Moisés ergueu, no alto, uma serpente de bronze.  Referência à sua morte de cruz, que segundo João, é o momento no qual Deus é glorificado. Ou seja, ocasião na qual é expressa, de modo patente, a realidade do próprio Deus.
O que a cruz nos diz? Ela nos revela o ser mais profundo de Deus: é puro amor que faz dom de Si mesmo a nós. Ele é pura entrega de Si, é doação sem medidas. Nesse sentido, a cruz é a manifestação mais cabal do amor. A salvação se dá como dom que Deus faz de si mesmo por nós.
O juízo de Deus em seu Filho na cruz é manifestação da nossa realidade e apelo para o nosso viver. Na cruz é denunciado, desmascarado o nosso viver fechado e egoísta. Diante dessa luz de amor, são reveladas as trevas de um existir que não entende o amor como oferta de si para o bem dos irmãos. A cruz ilumina a realidade da nossa existência sem sentido e vazia porque priva do amor verdadeiro que nos é manifestado no Cristo erguido entre o céu e a terra.
Nesse sentido, a realidade da cruz é profundamente interpeladora. Além de fazer-nos dar-nos conta de nós mesmos, convida-nos a nortear a nossa caminhada assinalada pela sua dinâmica que é, sobretudo, oferta de amor gratuita e incondicionada. A cruz torna-se, por conseguinte, projeto e estilo de vida.
A vida eterna, que o Senhor nos quer dar, não se trata simplesmente de uma vida para além do nosso viver intra-histórico, é, na verdade, um caminhar já agora marcado pela dinâmica da cruz. Já possuímos a vida eterna quando amamos, quando fazemos da nossa vida dom!
Crer em Jesus é contemplá-lo na cruz, é aceitar a verdade do seu ser amor que transborda de si mesmo. As obras deverão somente exprimir essa realidade que dever ser assumida e encarnada no próprio existir. Não crer é condenar-se. É fechar para si próprio a possibilidade de realização, pois somente no amor a pessoa humana é plenamente completa.
Lancemos o olhar sobre Aquele que pode nos libertar do exílio de uma vida fechada em nós mesmos. Que da cruz nos venha a cura que mata as serpentes do mal que tornam o nosso viver insignificante, porque vivido no egoísmo. Acolhamos a graça e a misericórdia que Deus nos concedeu com o dom de seu Filho na cruz.
Pe. Pedro Moraes Brito Júnior