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28-04-2018 17:55

Comunhão de vidas

 
Diferentemente dos evangelhos sinóticos, o evangelho de João não apresenta parábolas, mas analogias, imagens. Nesse quinto domingo da Páscoa, é-nos apresentada a imagem da videira. Trata-se de uma analogia muito conhecida desde o Antigo Testamento, pois o povo de Israel era considerado a vinha, a videira do Senhor.
No trecho evangélico dessa semana, Jesus se apresenta como a videira verdadeira. É interessante perceber que tal afirmação tem um caráter opositivo em confronto, por conseguinte, à videira falsa. Com tal imagem, portanto, Jesus diz algo a respeito de Si, de sua identidade. Ele é a revelação suprema do Pai.
Essa imagem da videira, com tudo que é dito a respeito, fornece-nos um rico ensinamento e uma profunda mensagem.  É dito que o Pai é o agricultor e como tal ele poda e limpa os ramos. São comparações tiradas do traquejo dos agricultores com as videiras no dia a dia.  Partindo disso, podemos entender que a ação do Pai não é de punição, mas de cuidado a fim de que a videira produza muitos cachos de uva.
Os biblistas fazem entender que o significado do verbo podar, no original grego, é o de purificar. A ação do Pai é de purificação para que os ramos possam produzir mais e melhores frutos. Deus, na nossa vida, permite situações que nos façam crescer e voltar-nos mais e mais para Ele. Essa purificação ocorre, sobretudo, através de sua Palavra que serve para corrigir e educar.
Em seguida, escutamos o convite de Jesus a permanecer unidos a Ele, com a promessa de sua permanência nos seus discípulos. Aqui, nos encontramos no coração da mensagem desse texto evangélico: trata-se do convite a viver em comunhão, unidos no amor. O Senhor nos convida a viver em comunhão de vida com Ele. Permanecer em João é ter o outro dentro de si.
Jesus ainda faz perceber que essa comunhão é vital para que os ramos cumpram a sua missão de dar frutos. Realmente, os frutos esperados só poderemos realmente consegui-los através de uma vida de união íntima com o Senhor. É nesse sentido que, na vida cristã, a oração ocupa um lugar fundamental como compreensão da vivencia da fé como relacionamento interpessoal com Deus.
No tocante à vida de oração assim se exprimia São João Paulo II na Novo millennium ineunte: “A grande tradição mística da Igreja, tanto no Oriente como no Ocidente, é bem elucidativa a tal respeito, mostrando como a oração pode progredir, sob a forma dum verdadeiro e próprio diálogo de amor, até tornar a pessoa humana totalmente possuída pelo Amante divino, sensível ao toque do Espírito, abandonada filialmente no coração do Pai”.
Só dessa forma é que os ramos produzirão muitos frutos, cumprirão a missão para qual existem. Nós, inseridos em Cristo pelo batismo, somos chamados a produzir  frutos de amor para a vida do mundo. Permitamos que a ação purificadora do Pai, o divino Agricultor, se realize em nós e vivamos numa comunhão esponsal com o divino Esposo, Jesus, a fim de que o mundo possa saborear a infinita grandeza do amor de Deus.
Pe. Pedro Moraes Brito Júnior