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15-04-2017 16:10

A espiritualidade do tempo da Páscoa

Eis que chegamos ao tempo pascal! Até à solenidade de Pentecostes, toda a Igreja é convidada, de uma forma mais intensa, a proclamar a verdade que lhe dá sentido: o sepulcro está vazio, Cristo ressuscitou, a morte foi vencida!

Essa verdade fundamental da nossa fé foi a que desencadeou um movimento que caracteriza a nossa condição de cristãos: o seguimento. Somos discípulos daquele que atravessou o vale escuro da morte na cruz e ao terceiro dia ressuscitou. Foi pela luz da verdade pascal que os apóstolos compreenderam todo o itinerário de vida de Jesus, sobretudo o de sua paixão e morte e se decidiram firmemente por Ele.

O livro dos Atos dos Apóstolos, que é lido durante o tempo pascal, é um convite a conhecer e rememorar os primórdios da história da nossa fé. Todo o movimento desencadeado que o anúncio do sepulcro vazio e a experiência com o Ressuscitado suscitaram. Encontramos vários relatos da pregação apostólica, a adesão de pessoas à fé cristã, a formação de comunidades. Tudo derivante da grande boa-nova da vida que vence a morte e do ódio que dá lugar o amor.

Fazendo-nos ir aos albores da nossa fé, a Igreja convida-nos, não somente a redescobrir o essencial do anúncio e do viver cristãos, mas a retornarmos ao Amor. Creio que esse é um dos traços característicos da espiritualidade pascal. Voltar às origens da nossa fé, que se distingue por ser adesão a uma pessoa: Jesus Cristo, o Filho de Deus.

O viver cristão é um pulsar do coração que encontra o seu centro afetivo em Jesus Cristo. Tal realidade é muito presente na resposta de Pedro a Jesus. Ao confiar-lhe a missão de pastorear o rebanho, o Senhor pede-lhe uma confissão de amor. Pela terceira vez, Pedro Lhe responde: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo” (cf. Jo 21,15-19).

A Páscoa é convite a redescobrir esse essencial da nossa fé, que deve ser o centro propulsor de tudo quanto fazemos. É como diz o apóstolo Paulo no seu discurso aos atenienses, no areópago: “pois nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28).

Além de voltar ao amor, é preciso retornar ao primeiro amor. Aquele mais intenso, vibrante e pujante. Por vezes, o amor se arrefece, esfria porque deixamos de voltar o olhar e o coração para o Amado. E aí não damos mais a nós mesmos por inteiro, mas partes de nós. A divisão se instala em nosso interior.

A espiritualidade do tempo pascal, fazendo-nos rever o ardor dos primeiros cristãos, apela-nos a tornar mais viva e intensa a chama do amor por Jesus Cristo.

Como os frutos das primícias, queremos dar o melhor de nós mesmos ao Senhor, darmo-nos totalmente, para que com encanto e enlevo possamos alegremente anuncia-Lo e dizer que não podemos ir alhures, pois só Ele tem palavras de vida eterna, que saciam e dão sentido ao nosso viver.

Pe. Pedro Moraes Brito Júnior